Categoria "Feminismo"

Encontro de Gerações de Mulheres em TI no UOLDiveo

Em 14.03.2015   Arquivado em Eventos, Feminismo, Reflexões, Tecnologia

“este não é o PC do meu namorado!”

[I]nfelizmente ontem foi o último dia da Semana da Mulher na Tecnologia. Eu não pude participar de todos os eventos da semana por questões logísticas e também de tempo, mas no post passado comentei sobre a abertura da semana, que foi na TOTVS daqui de São Paulo. Hoje, publicarei sobre o evento de encerramento, que foi um encontro muito bacana com várias mulheres relacionadas a TI, de diferentes idades.

O evento aconteceu no Auditório da Folha com apoio e participação de várias funcionárias do UOLDiveo, que é uma parte da empresa destinada aos trabalhos de TI. O evento começou com a apresentação das palestrantes, dentre elas, uma que eu já conhecia do evento da TOTVS e ajudou na organização: a fofa da Camila Achutti, do blog Mulheres na Computação.

A palestra seguiu bastante os moldes da que ocorreu na TOTVS: nós abordamos a questão do preconceito e o que a mulher tem de enfrentar dentro do mercado de TI. Dividimos algumas histórias absurdas envolvendo machismo e o subestimar do potencial feminino nestas áreas tão “masculinas” (que a história já provou ser mentira). Ao longo do debate tentamos encontrar soluções para que a mulher não tenha tanto receio do mundo da tecnologia e se sinta cada vez mais confortável para trabalhar na área. No final, fizemos grupos onde cada representante falou um pouco sobre o que acha que deve ser mudado dentro da sociedade para que as próximas gerações de estudantes e atuantes em TI sejam cada vez mais femininas.

eu e a camila achutti, logo após o encontro! :3

Muitas questões foram abordadas, como a educação dos pais em casa, a construção social de gênero, a pressão masculina do ambiente, a falta de oportunidades ou de incentivo para entrar no mundo de TI, etc. No meu grupo, onde eu fui a representante, nós tocamos em dois assuntos muito importantes: as mulheres muitas vezes não entram em áreas voltadas à tecnologia porque não sentem uma figura forte feminina lá dentro, ou seja, uma inspiração. Que garota nunca viu alguma outra em um filme, com uma personalidade forte, executando alguma tarefa e pensou: nossa, como eu queria ser ela! Que garota nunca quis ser a Mulher Maravilha? Precisamos de alguém forte que seja propagado e nos inspire. E isso falta muito em TI. Que mulher temos de referência em TI? VÁRIAS. Mas elas não são tão divulgadas quanto os homens, e a propagação destas mulheres é fundamental para que novas meninas se identifiquem e queiram participar desse nosso mundo.

E se no nosso meio ou por perto não há figuras para meninas se inspirarem, que nós, garotas já ingressas no mundo da tecnologia, sejamos essa inspiração. Que tragamos para garotas mais jovens que não conhecem ou tem curiosidade em TI uma ideia fora do padrão de que programar é chato, é coisa de homem, não dá tempo de vida social, etc.

O outro ponto que abordamos é estimular a autoestima nas mulheres que já estão no mercado. Muitas garotas têm conhecimento, são inteligentes, sabem como desenvolver naquela plataforma, mas por insegurança acabam não aplicando e desistindo de um emprego. Ao contrário do homem, que às vezes nem domina a área mas entra no emprego porque tem confiança suficiente de que irá aprender de qualquer jeito aquilo que foi pedido.
Temos outros exemplos: mulheres quando conseguem um freelancer, cobram às vezes um valor muito abaixo do que realmente vale, por medo de perderem o cliente. Também há casos de mulheres dentro de empresas terem uma pretensão salarial bem abaixo do que um homem pede e ganha, porque não se sentem confiantes o suficiente. Não! Não pense assim! Você estudou, você é capaz, e você não só pode como DEVE ter seu trabalho valorizado!

Logicamente, não devemos dizer que se a mulher não é tão destacada em TI isso é culpa da sua autoestima: não! Nunca! A culpa de tudo isso é em como o mundo em que vivemos constrói socialmente nosso gênero, de forma que tudo que saia daquilo que a sociedade diz ser “de mulher” é considerado um caminho tortuoso para nós, nos afastando de áreas que inicialmente eram inclusive nossas (como a própria área tecnológica) através de pensamentos que são fincados em nossa mente, querendo nos tornar cada vez mais inseguras e menos contestadoras. Afinal, o sistema lucra em cima das opressões. Ou você acha que não é vantajoso para uma empresa ter uma mulher executando o mesmo serviço (ou até mais) do que um homem mas ganhando menos que ele?

O legado que esta Semana da Mulher na Tecnologia deixou é o de autoconfiança e união. A autoconfiança de entendermos que somos capazes de pegar qualquer trabalho, qualquer código, qualquer coisa… nós vamos conseguir! A autoconfiança de não se calar perante situações de machismo conosco ou com nossas colegas e nos impor quando vemos uma situação de injustiça ou percebemos que estamos sendo passadas para trás… por sermos mulheres!

Quando falamos de união, devemos quebrar o falso estereótipo de que mulher não é unida, mulher se detesta, etc. Isso tudo é feito categoricamente para nos separar e, consequentemente, nos enfraquecer. Se temos segurança em algo, devemos passar isso para nossas companheiras. O que conhecemos deve ser dividido entre nós, para nos fortalecer. Juntas, somos fortes e tomaremos todas as áreas do conhecimento! Porque o dom da multifuncionalidade nós sabemos melhor do que ninguém.

E que tenham cada vez mais semanas como esta e nos mais variados lugares! :)

Todo poder às mulheres!

Bikini Kill – Rebel Girl

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I Semana da Mulher na Tecnologia na TOTVS

Em 11.03.2015   Arquivado em Diário, Eventos, Feminismo, Tecnologia

ada lovelace, primeira programadora do mundo!

[B]em, acho que não é segredo para ninguém que essa é a semana internacional da mulher. A origem do dia 8 de março poucos conhecem, mas vem dos primeiros protestos realizados no ano de 1917 contra o regime czarista da Rússia. Estes protestos iniciaram-se em 8 de março com milhares de mulheres proletárias reivindicando seus direitos. Alguns meses depois, culminou-se a revolução na Rússia.

A importância desta data rege todas as áreas. Mas darei destaque a uma área que sempre foi majoritariamente feminina, mas por conta dos estereótipos e da construção de gênero, acabou sendo focada em homens. E essa área é sem dúvida a tecnológica.

Enquanto o homem estava na Primeira e Segunda Grandes Guerras, a mulher fazia o trabalho tecnológico. Seja na construção de códigos, consertando válvulas do ENIAC, etc. Porém, após a década de 80, começou a surgiu o estereótipo de que computação era coisa de menino. Isso fez com que muitas mulheres se afastassem de TI. O meio se tornou bem inóspito para nós, já que não recebíamos nenhum tipo de apoio, éramos constantemente fiscalizadas e pressionadas (e ainda somos!) e constantemente contestadas sobre nossa capacidade profissional.

Pensando em tudo isso, temos a nossa I Semana da Mulher na Tecnologia, que foca em TI com um pensamento feminino. Como ajudar a cada vez mais mulheres retornarem a esta área e quebrar um estereótipo que somos subjugadas desde o nascimento?

mulheres no passado, presente e futuro de TI na totvs!

É com muito orgulho que digo que participei do primeiro dia de eventos da primeira semana de tecnologia voltada à mulher. Gostaria de dizer que a sede da TOTVS é simplesmente maravilhosa! Aquilo é tão tecnológico que chega a ser surreal, haha. Eu realmente me senti nos corredores da Mansão Xavier rumo ao Cerebro.

Quando cheguei, o ambiente era de extremo conforto. Só haviam mulheres na sala. Isso é muito bom porque cria um ambiente de tranquilidade e segurança para nós. Mas ao mesmo tempo, problematizo com a seguinte pergunta: por que homens nunca se interessam por eventos voltados a mulheres? Desconstrução do machismo não é só deixar de falar frase X ou Y, mas participar dos nossos espaços e buscar compreendê-los através deste contato.

Logo, a palestra iniciou com a fofa da Camila (xará!) Achutti. Houve uma breve introdução sobre a história da mulher no meio tecnológico (que inclusive já falei um pouco mais acima no post) e, consequentemente, um pouco da história pessoal de cada mulher presente para dar a palestra. Foram compartilhadas as histórias dentro da universidade, os medos de não superar os desafios, as dificuldades num ambiente majoritariamente masculino, a falta de apoio, o contestamento da competência profissional, a encanação de sempre ter que provar ser melhor por ser mulher, etc. Enfim, todos aqueles dilemas que nós mulheres vivemos por simplesmente sermos mulheres adentrando um espaço tecnicamente masculino (o que é uma grande mentira).

Depois, a palestra foi conduzida pela Nathalia Goes, que em 2013 foi integrante do primeiro time internacional a ficar no pódio do Technovation Challenge na Califórnia, em 2013. Esta participava de um grupo de meninas na escola que desenvolviam aplicativos. O que parecia apenas uma atividade de sala de aula se tornou parte de sua profissão hoje. E eu me identifiquei igualmente, afinal, quando criei meu blog há 6 anos, jamais poderia imaginar que ele decidiria por exemplo a minha carreira a seguir.

Obviamente, não ficamos só no bate-papo. O objetivo da palestra era pensar em maneiras de introduzir a mulher em TI. Em minha fala na palestra, comentei sobre meu início precoce no mundo do desenvolvimento web (aos 11 anos de idade) e todas as dificuldades que enfrentei, além da ajuda que eu recebi para iniciar nesse mundo ter sido em grande parte feminina.

É fato que cada vez mais meninas vêm se interessando por TI. E mais do que isso: vemos no Blogger a infinidade de blogs de meninas sobre os assuntos que elas mais querem falar, e construídos por elas mesmas. Desde o logo até o HTML e CSS. Devemos então reforçar isso: a mulher, pela própria construção de gênero, tende a ser mais comunicativa. É importante então demonstrar que essa comunicação está diretamente associada com a possibilidade de ingresso no mundo da tecnologia. Poder construir virtualmente um canal de comunicação e falar ao mundo o que você pensa ou o que tem para oferecer.

Não devemos apenas convidá-las para este mundo, mas unirmos nós mesmas. Há toda aquela ideia estereotipada e errada de que a mulher não gosta de outra mulher, que não há união. Isto é um mito. As mulheres que se encontram no mundo TI sempre se unem justamente por não se sentirem confortáveis num meio masculino que sempre duvida de nós. Devemos ajudar umas às outras sempre. A união faz a força!

Além disso, não devemos nos intimidar com o que os homens dizem. Se ele duvida de você, mostre que você é capaz de fazer um serviço tão bom ou ainda melhor do que ele. Mulheres sempre se destacam mais porque, na “obrigação moral” de demonstrar socialmente que ela é tão boa quanto o homem, ela se dedica ao ponto de tornar-se ainda melhor. Não se intimidar não é apenas se esforçar, mas mostrar “na cara larga” quando o homem fala alguma besteira. Indagar: sério mesmo que você acha que ela não pode fazer isso por que é mulher? Isso não é arrumar intrigas no meio que você atua, mas gerar uma reflexão, cada vez mais necessária nos dias de hoje.

Mais do que incentivar as mais velhas, devemos chamar as mais novas para a luta! Quebra de estereótipo começa dentro de casa. É importante abordar com os pais que não existem coisas de menino e coisas de menina, mas uma construção de gênero que limita cada vez mais a mulher de exercer suas funções. Mostrar para nossas pequenas que programador não é aquele cara cabeludo, fedido, que não dorme nem tem vida, vive de salgadinhos e tem cara de nerd. Programador é simplesmente aquele que mexe com códigos, seja quem for.

Por isso: que tenhamos muitas, muitas mulheres no mundo TI! *-*

A I Semana da Mulher na Tecnologia ainda não acabou. Há eventos para quinta e sexta. Se informe melhor e veja como participar acessando este link. E se você quiser conhecer mais o trabalho da minha xará Camila Achutti, entre no blog dela.

Bye! :3

Marina and the Diamonds – I Am Not a Robot

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vagão rosa: por que problematizar?

Em 22.07.2014   Arquivado em Feminismo, Reflexões, Textos

começando post com mulher negra poderosa sim!!!!!!

[P]ense na seguinte situação: você está usufruindo do transporte público. Algo que é um direito seu. De repente, num ato nojento, você percebe que está sendo abusada dentro do vagão onde se encontra. Passam a mão em você, se esfregam em ti e/ou tentam tirar fotos de suas partes íntimas. Você não tem pra onde correr, e tem vergonha de gritar. A porta do vagão se abre após parar numa estação qualquer e você desce desesperada, se sentindo suja, contaminada, violada. Enquanto isso, o infrator, o misógino, o crápula, passa despercebido enquanto o vagão onde ele se encontra vai embora lentamente. E você ainda se pergunta: será mesmo que você não tem culpa nisso?
Lógico que não. De calças, shorts ou saias, o vagão é um lugar livre assim como qualquer outro lugar. Ninguém deve nos privar do direito de ir e vir, muito menos do direito de andarmos sem termos nossa sexualidade constantemente violada, agredida.
Quem é a culpa de tudo isso? Do cara, que num ato pavoroso, te invade, ou da mulher, que estava em seu lugar apenas indo para mais um dia de trabalho, ou mais uma reunião com xs amigxs, e que não tem como se defender pois muitas vezes tem medo da reação do sujeito? Afinal, muitas mulheres chegam a reclamar até com guardas do metrô e nada se é feito.
A culpa é de quem?
Para um projeto de lei aí, a culpa é nossa.

A proposta, de autoria do deputado estadual Jorge Caruso (PMDB), foi aprovada no último dia 4 na Assembleia Legislativa de São Paulo e agora aguarda sanção ou veto do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
O deputado afirma que o objetivo do projeto é reduzir os casos de assédio sexual no transporte, principalmente nos horários de pico. Os movimentos feministas, por outro lado, argumentam que a medida não resolve o problema e só aumenta a segregação.

Não somos nós mulheres (trabalhadoras, estudantes, ou que seja), que devem ser enfiadas dentro de um único vagão em todo o trem como “tentativa de diminuir o assédio”. Somos maioria na população e, o mínimo, seria que houvessem vagões maiores. Mas o problema não é esse.
Não é a mulher que tem que se prender numa jaula como se lá fora houvessem vários homens sedentos prontinhos para atacar o primeiro pedaço de pele. É o homem que, com sua educação machista deste pequeno dentro da sociedade, deveria entender que a mulher não é um manequim na vitrine que se invade e se faz o que quiser. É o homem que deveria pelo menos tentar entender que mulher não é objeto sexual para um momento de prazer antes de sair do vagão e ir para o trabalho. Mulher não é prazer. Mulher é gente. E mulher deve ser respeitada, seja em qual espaço for.

Vagões para homens, vagões para mulheres… isso não resolve o problema. Pois ainda vão haver caras abusando garotas fora dos vagões. Enquanto uma educação seria expansiva e não abrangeria apenas o transporte público. Chega a ser segregação botar homens num lugar e mulheres no outro. Daqui a pouco eu vou ter que transitar só num lugar x porque se eu for pro lugar z eu vou estar ~tentando um homem~. Tentando por que? Por que sou mulher?

Além de milhares de mulheres em horário de pico da volta ou ida ao trabalho terem que se espremer igual uma lata nesses vagões, é muito provável que caso uma mulher não esteja num “vagão rosa” (o que é direito dela), ela pode ser culpabilizada pelo abuso sofrido: “ah, mas você não tava no seu vagão… rs”. Não existe meu vagão. O vagão que eu vou é o que eu quiser e ninguém deve abusar do meu direito como cidadã nem do meu corpo por simplesmente estar usufruindo de um espaço que também é meu, oras!
Sem contar as notícias que sabemos de homens que entram dentro de vagão rosa e, não só isso, como agridem mulheres que tentam retirá-los do local. Se não bastassem nos colocarem numa jaula, ainda o agressor insiste em querer entrar dentro dela.

Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que lidar com a imposição de gênero entorno do vagão: vagão cor de rosa, propagandas de maquiagens, sapatos, roupas e produtos de limpeza. Como se a mulher fosse uma Susi Dona de Casa e Feliz. Me poupe. Mulher não é só isso. Não tentem nos reprimir, nos encaixar, nos criminalizar. Estamos afrente disso tudo!

Às mulheres!

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[Lady Gaga – Scheisse]

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