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Feminismo

Feminismo Reflexões Textos

vagão rosa: por que problematizar?

começando post com mulher negra poderosa sim!!!!!!

[P]ense na seguinte situação: você está usufruindo do transporte público. Algo que é um direito seu. De repente, num ato nojento, você percebe que está sendo abusada dentro do vagão onde se encontra. Passam a mão em você, se esfregam em ti e/ou tentam tirar fotos de suas partes íntimas. Você não tem pra onde correr, e tem vergonha de gritar. A porta do vagão se abre após parar numa estação qualquer e você desce desesperada, se sentindo suja, contaminada, violada. Enquanto isso, o infrator, o misógino, o crápula, passa despercebido enquanto o vagão onde ele se encontra vai embora lentamente. E você ainda se pergunta: será mesmo que você não tem culpa nisso?
Lógico que não. De calças, shorts ou saias, o vagão é um lugar livre assim como qualquer outro lugar. Ninguém deve nos privar do direito de ir e vir, muito menos do direito de andarmos sem termos nossa sexualidade constantemente violada, agredida.
Quem é a culpa de tudo isso? Do cara, que num ato pavoroso, te invade, ou da mulher, que estava em seu lugar apenas indo para mais um dia de trabalho, ou mais uma reunião com xs amigxs, e que não tem como se defender pois muitas vezes tem medo da reação do sujeito? Afinal, muitas mulheres chegam a reclamar até com guardas do metrô e nada se é feito.
A culpa é de quem?
Para um projeto de lei aí, a culpa é nossa.

A proposta, de autoria do deputado estadual Jorge Caruso (PMDB), foi aprovada no último dia 4 na Assembleia Legislativa de São Paulo e agora aguarda sanção ou veto do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
O deputado afirma que o objetivo do projeto é reduzir os casos de assédio sexual no transporte, principalmente nos horários de pico. Os movimentos feministas, por outro lado, argumentam que a medida não resolve o problema e só aumenta a segregação.

Não somos nós mulheres (trabalhadoras, estudantes, ou que seja), que devem ser enfiadas dentro de um único vagão em todo o trem como “tentativa de diminuir o assédio”. Somos maioria na população e, o mínimo, seria que houvessem vagões maiores. Mas o problema não é esse.
Não é a mulher que tem que se prender numa jaula como se lá fora houvessem vários homens sedentos prontinhos para atacar o primeiro pedaço de pele. É o homem que, com sua educação machista deste pequeno dentro da sociedade, deveria entender que a mulher não é um manequim na vitrine que se invade e se faz o que quiser. É o homem que deveria pelo menos tentar entender que mulher não é objeto sexual para um momento de prazer antes de sair do vagão e ir para o trabalho. Mulher não é prazer. Mulher é gente. E mulher deve ser respeitada, seja em qual espaço for.

Vagões para homens, vagões para mulheres… isso não resolve o problema. Pois ainda vão haver caras abusando garotas fora dos vagões. Enquanto uma educação seria expansiva e não abrangeria apenas o transporte público. Chega a ser segregação botar homens num lugar e mulheres no outro. Daqui a pouco eu vou ter que transitar só num lugar x porque se eu for pro lugar z eu vou estar ~tentando um homem~. Tentando por que? Por que sou mulher?

Além de milhares de mulheres em horário de pico da volta ou ida ao trabalho terem que se espremer igual uma lata nesses vagões, é muito provável que caso uma mulher não esteja num “vagão rosa” (o que é direito dela), ela pode ser culpabilizada pelo abuso sofrido: “ah, mas você não tava no seu vagão… rs”. Não existe meu vagão. O vagão que eu vou é o que eu quiser e ninguém deve abusar do meu direito como cidadã nem do meu corpo por simplesmente estar usufruindo de um espaço que também é meu, oras!
Sem contar as notícias que sabemos de homens que entram dentro de vagão rosa e, não só isso, como agridem mulheres que tentam retirá-los do local. Se não bastassem nos colocarem numa jaula, ainda o agressor insiste em querer entrar dentro dela.

Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que lidar com a imposição de gênero entorno do vagão: vagão cor de rosa, propagandas de maquiagens, sapatos, roupas e produtos de limpeza. Como se a mulher fosse uma Susi Dona de Casa e Feliz. Me poupe. Mulher não é só isso. Não tentem nos reprimir, nos encaixar, nos criminalizar. Estamos afrente disso tudo!

Às mulheres!

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[Lady Gaga – Scheisse]

Feminismo Reflexões Textos

o vitimismo chamado friendzone

essa jean grey é linda mesmo, viu!

[S]e existe um assunto que me irrita profundamente, esse assunto se chama friendzone. Incrível como hoje em dia existe nome para tudo. Ainda mais para coisas como estas. O que a galera tem chamado de friendzone seria quando umx garotx leva um fora de algumx garotx com aquela desculpa de “somos melhores como amigos”. Uma coisa que já ocorre desde os tempos mais remotos com ambos os sexos, mas que hoje vem se banalizando e o pior: praticamente criando uma cultura em que se o cara é legal seria uma obrigação da moça ficar com ele por isso.

O post vai problematizar o que virou a “friendzone”, em que usam a alcunha de forma machista para vitimizar homens e culpabilizar mulheres por uma simples questão de escolhas, na grande maioria dos casos.

Páginas com o tema não só tratam a garota como uma exterminadora de corações só porque não está afim do garoto como também posta coisas como “depois mulher fala que nenhum homem presta… quando tem a oportunidade de ficar com alguém legal, não fica!”. Verdade, né? Mas deixa eu te contar: NINGUÉM é obrigado a ficar com você só porque tu é legalzão com essa pessoa. Tanto homem quanto mulher. E tratar seu fracasso como “culpa da mulher que não me valorizou” é querer tirá-lo das costas. Aliás, eu nem diria fracasso, é apenas um desencontro: nem todo mundo que a gente gosta vai gostar da gente, mas também não é por isso que você vai ficar saudando sua frustração jogando a culpa em outras pessoas.

Engraçado que redes sociais que colocam o assunto em pauta sempre mostram a mulher como a destruidora e o homem como o destruído, como se mulheres também não fossem colocadas constantemente apenas na zona da amizade. Se só porque uma pessoa é legal comigo eu deveria ficar com ela, eu deveria ficar até com o padeiro. O simples fato da cordialidade e de agradar uma pessoa não é nem de perto o essencial em um relacionamento. Não basta ser legal e fofo apenas no começo, isso deve acontecer sempre e mesmo assim não é garantia de nada. E querer obrigar alguém a ficar contigo só porque você é respeitoso e romântico é como eu querer conseguir um emprego apenas dizendo para meu futuro chefe que eu sou competente. Não basta falar, é preciso ação. E só ficar com palavras na internet com seu affair não vai solidificar nada. É preciso ir além. E se mesmo indo além, nada se concretizar, a culpa não é sua e muito menos dela!

Se você faz de tudo por uma pessoa e não recebe nada em troca disso, ela não “te friendzonou”. Ela simplesmente está no direito de não querer nada com você. E se ela te usa, te humilha, te trata como todos, quem tem que levantar o banco e sair é você. Não tentem particularizar atitudes “malvadas” para apenas um gênero quando é o seu gênero que domina uma sociedade inteira. Não tente culpar os outros pela sua aceitação como humilhado. Se a pessoa não te quer, ela não te quer. E se você sabe que ela não te quer, está te usando e tu continua forçando isso… meu carx, a culpa certamente é sua.

Além disso, se a mulher fala que “nenhum homem presta”, o que é esta frasezinha misândrica tão inofensiva perto de todos os xingamentos e humilhações completamente misóginas que nós mulheres muitas vezes temos que passar num relacionamento? O que é “nenhum homem presta” perto de uma sociedade esteticamente e moralmente criada para favorecer o próprio homem? Se ofender com “nenhum homem presta” é um branco se sentir ofendido com “racismo inverso”. E mesmo que a mulher se decepcione com outros garotos, isso não te dá o direito de achar que a decepção dela é em vigor de “não ter te escolhido” ou “falta de p*”, afinal, pensar que a felicidade feminina se resume em coisas fálicas é uma bela bomba machista. Falar “não é feliz porque não ficou comigo” é suposição. Com você poderia ter sido pior, afinal não sabemos o dia de amanhã, não é mesmo? Quantas vezes entramos em relacionamentos tendo os melhores pensamentos e saímos com as piores percepções possíveis?

Se mulher fala que nenhum homem presta, não é porque ela não ficou com aquele cara que sempre tratou ela legal, mas sim por motivos particulares que não são da sua conta! Apenas um desabafo intocável perto de tudo o que se faz na terra que é da teoria homem > mulher. E com certeza não disse isso de graça. Friendzone acontece em todos os sexos, todos os gêneros, todos os sabores e todas as cores. Pare de tratar isso como algo particular de homem cis hétero vítima e entenda que não é todo mundo que é obrigado a gostar de ti. Quantas vezes eu já me apaixonei por pessoas que não quiseram nada? Eu vou fazer o quê? Apontar uma arma na cabeça da pessoa? Tratá-la como a culpada da situação?

Não é friendzone. Se chama vida, se você ainda não percebeu! Todo mundo vai levar chutes na bunda, e não trate isso com vitimização.

[Beatles – Hello Goodbye!]

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Feminismo Futebol Reflexões Textos

fernanda colombo e a misoginia no futebol

mística ♥

[D]epois da campanha completamente nonsense que foi aquela #somostodosmacacos (que eu problematizo e explico porque era uma campanha, digamos… oportunista, neste post aqui) nos vemos no seguinte embate: quando homem erra no mundo do futebol, ele é zoado algumas vezes e pronto. Mas quando é mulher, a coisa vai bem mais embaixo. Alguns infelizes além de tratarem a mulher como uma verdadeira carne no açougue e usando seus “atributos físicos” para “compensar” as críticas e o machismo (rolando assim ainda mais machismo), outros pedem para ela simplesmente sair do mundo do futebol e quem sabe fazer algo que seja mais “o talento dela”, como posar nua na Playboy. Porque, né, Alexandre Mattos, lugar de mulher é posando numa em revista de cardápio pornográfico, pra sempre servir o homem, seus prazeres e o patriarcado, né? Leiam aqui mais afundo o que rolou na entrevista nojenta dele.

Bom, não é novidade pra ninguém que o futebol é um dos meios mais preconceituosos da face da terra. Tão preconceituoso que um esporte que, assim como todos os outros, poderia ser utilizado para conscientizar e emancipar mentes, é até mesmo reação de nojo para algumas pessoas que não conseguem aturar (com razão) as atrocidades e falácias que muitos torcedores jorram pela internet, TV, jornais, etc. Eu, que sou amante do futebol desde os 4 anos de idade (visto que o cabeçalho do meu blog tem eu ruivinha com a camisa do Santos + meu jogador favorito, o Thomas Müller do Bayern München), fico simplesmente horrorizada com as coisas que vejo por aí.

queerpass: a torcida antihomofóbica/homossexual do bayern münchen! ♥

A mulher cis ou trans*, assim como xs homossexuais, homens cis ou trans*, negrxs, tem pouco espaço respeitoso no futebol. O primeiro deslize e “seu macaco, sua p*ta, seu v*ado, seu trav*co” e assim em diante. Até mesmo o homem hétero cis quando criticado, não é ofendido com sua heteronormatividade e sim com alcunhas difamatórias homofóbicas e misóginas que são constantemente utilizadas para repudiar os outros, como se ser gay ou mulher fosse a pior coisa do mundo. No futebol, mulher não pode entrar no meio sem ser desvalorizada no primeiro erro, quando muitos árbitros fazem coisas muito piores, fazem esquemas ilegais nos bastidores muito mais densos e estão dentro de muitas mutretas que nem preciso explicar, todo mundo sabe ou já ouviu falar. A mulher tem um espaço quase nulo no futebol, e quando tem, simplesmente é chutada no primeiro erro. A bandeirinha erra? Sim. Grosseiramente às vezes. Mas isso não é desculpa para você ser machista ao ponto de refutá-la com argumentos misóginos e muito menos mandá-la servir ao tesão masculino numa revista pornográfica. Isso é cúmulo da misoginia. Não queremos nenhumx árbitrx e bandeirinha, seja de qual gênero/etnia/orientação sexual for, sendo exposto desta forma. Ainda mais quando estão incluídos homofobia, machismo, transfobia, etc. Até porque, querendo ou não, a mulher no futebol acarreta ainda mas preconceito do que o árbitro homem cis hétero, como na maioria dos casos.

Redes de TV destacando os atributos físicos da mulher bandeirinha de forma descarada. Não quero que alguém chegue em mim e diga: nossa, mas você é uma blogueira/webdesigner/programadora/estudante tão linda, mesmo sendo meio incompetente… Quem quer isso? O elogio ao meu físico não diminui sua humilhação. Eu não quero ser destacada pelos meus atributos físicos, porque aí entra outro problema: o padrão estético social. Eu quero ser tratada com respeito e meus erros não serem expostos de forma patética mas sim aconselhados e visando melhorias. A moça foi afastada para “voltar a estudar”, quando bandeirinhas e árbitros cometem erros muito piores e continuam acabando com partidas e resultados de forma vergonhosa. Eu queria saber onde que estão as equipes de arbitragem que cometeram estes e outros tantos erros grotescos. Será que mandaram posarem nus ou os afastaram pedindo para voltar a estudar?

a bandeirinha constantemente atacada por seus erros: fernanda colombo

Páginas de futebol com conteúdo “humorístico” constantemente zombando jogadores com alcunhas preconceituosas. A desculpa? “Somos uma página de humor, então natural usar isso”. Não sabia que agora humor virou desculpa pra ser idiota. Humor não é humor quando não se inclui todos, é preconceito. É fácil fazer humor preconceituoso quando o preconceito não é contra você, né? A sua opinião não te dá o direito de ser preconceituoso com ninguém, seja qual for o preconceito e a pessoa referida. Ainda me assusto quando vejo pessoas dizendo “que o futebol é um mundo à parte dos outros, por isso que rola tanto preconceito”. Sinceramente, não é desculpa, visto que o futebol acaba entrando não só na parte esportiva como também na parte social, a partir do momento em que torcedores não só de futebol como de outros esportes utilizam preconceito para ofenderem-se e também pela parte positiva, como a utilização do esporte nos movimentos sociais para inclusão de pessoas. Sendo assim, o futebol é também o nosso mundo! Visto que ao longo do Brasil desalojaram teoricamente 250 mil pessoas nas construções para a Copa do Mundo e alguns trabalhadores foram até mesmo mortos durante as construções. Certeza que futebol é mundo à parte?

O que eu peço encarecidamente é que tomem cuidado com as palavras proferidas e as atitudes perante acontecimentos do futebol. Violência verbal não deixa de ser menos humilhante. Você gostaria de ser rechaçado publicamente por erros que cometeu? Seja você homem cis ou trans*, mulher cis ou trans*, seja qual for sua orientação sexual, a cor de sua pele…? Gostaria que seus atributos físicos fossem “compensados” por seus erros profissionais, como se isso fosse uma forma de “diminuir sua humilhação”? Vejo pessoas falando “aposto que essa bonitona virou bandeirinha porque deu pra alguém”… engraçado que árbitro “bonito” entra por mérito, mas mulher que entra pro futebol sempre tem que ser por atributo físico? Tá me falando que mulher não tem competência? É o machismo não só proliferando misoginia como até mesmo derretendo o cérebro dos homens. Além disso, vale lembrar que o futebol feminino é bem menos destacado do que o masculino, mas deixo isso pra outro post… vale a reflexão!

E pra terminar, uma música que combina bem com o tema: Oh No da Marina and the Diamonds ♥

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