
Não, eu não morri. Se eu sumi foi por pura preguiça mesmo, e também porque o blog estava deixando de ser uma diversão para virar uma obrigação, e eu odeio quando essas coisas acontecem. Ainda mais o blog, que sempre serviu para ser um refúgio para mim. E para vocês rirem das minhas piadas sem graça, claro
Neste tempo que passei fora, li poucos livros, mas os que li, fiquei extremamente feliz com a quantidade de cultura que absorvi.
Um livro que me apaixonei foi O Apanhador no Campo de Centeio. Esse livro não só mudou a forma das pessoas olharem os adolescentes, como tem uma história por trás sombria. Simplesmente o assassino de John Lennon se inspirou nesse livro para matá-lo. E não só esse, como outros assassinos.
O Apanhador no Campo de Centeio narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield (♥), jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventude e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.
RESENHA
Eu vou ser bem sincera: no começo, achei o livro um saco. Eu não leio muitos livros porque eu fico tão ansiosa para saber o final deles logo, que acabo achando chato quando a história fica naquele lenga lenga. O livro é carregado de gírias idiotas, e a tradução não ajuda muito (nada impossível, mas é um pouco estranho). Quando o Holden falava “no duro”, era impossível não pensar em nada, digamos, obceno.

Mas a história foi desenrolando e eu, talvez por ser adolescente, comecei a me identificar muito com o Holden. Tanto que eu até digo para as pessoas que sou uma versão feminina de Holden Caulfield (e eu pegaria ele sem problema, mesmo com o chapéu tosco dele). Holden é um garoto extremamente impulsivo, confuso, muito seletivo e até mesmo chato com algumas coisas, tem um gosto apurado, não curte qualquer coisa, mas ao mesmo tempo é um garoto simpático, cheio de vontade de conhecer o mundo e as coisas que ainda não conhece tão bem.
O livro aborda temas interessantes da adolescência, e uma coisa que eu gostei muito foi a forma como o tema “sexo” foi abordado. Nada de p0t4rias e nem caras pagando de machões. Holden fala das suas inseguranças sobre esse tema. E isso é bacana, porque quando homens discutem isso, um sempre quer se achar mais que o outro. E Holden não.
“É engraçado, basta a gente dizer alguma coisa que ninguém entende para que façam praticamente tudo que a gente quer. É impossível a gente ensinar tudo a alguém.”
Holden é corajoso a ponto de ser louco. Ele pensa: quero viajar… vou. E não importa as consequências… se ele vai se dar bem ou mal. Ele tenta. E se der errado, ele sempre arranja um jeito. Holden virou um herói americano: um herói sem capa ou poderes. Apenas um garoto que faz o que quer e fala o que pensa. Fala sério: todo mundo quer ser assim, não? Acho que muito mais importante do que poderes especiais, são os poderes da mente e da alma.

Salinger fez com que a adolescência virasse muito mais do que um bando de criancinhas idiotas que acham que já viraram gente: virou uma fase da vida. Não só uma fase de transição, mas uma fase de descobertas, medos e amadurecimento. Salinger conseguiu transparecer para a sociedade algo que a mesma não via há muito tempo. Ou fingia não ver.

Eu adorei o livro. Adorei a forma como foi abordada a adolescência. O final é completamente sem sentido, mas acredite: isso é legal! Porque no fundo, a adolescência é a coisa mais sem sentido que nós já passamos. Mas não deixa de ser uma fase maravilhosa, não?
Holden é rebelde e acha que esses lances de escola, boa formação, são tudo bobagens. Ele quer viver a vida dele com liberdade. Liberdade de corpo, alma e mente. Ele é inteligentíssimo, apurado, culto, mas não tem notas boas. E isso mostra como alguns padrões da sociedade em que somos obrigados a cumprir são pura balela. Como notas escolares, por exemplo.
E apesar de rebelde, não deixa de ser um cara romântico… um verdadeiro gentleman. Holden, case comigo

JOHN LENNON E OUTRAS CURIOSIDADES
Eu estava pesquisando sobre o livro e li algumas coisas interessantes.
♥ Na tentativa de assassinato de Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA, o assassino usou este livro como inspiração para o ato.
♥ O assassino de Rebecca Schaeffer carregava o livro quando ele a matou.
♥ Existe uma música do Green Day chamada “Who Wrote Holden Caulfield?” sobre o livro.
♥ O Guns N’ Roses tem uma música com o nome do livro e é muito boa!
Bom, eu adorei o livro! E vocês, se interessaram em ler?
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